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Calculadora CLT vs PJ

Compare o salário CLT (com benefícios e PLR) com o faturamento PJ no Simples Nacional. Veja o líquido real e a diferença mensal de cada cenário.

Decidir entre CLT e PJ exige mais que a calculadora

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  • Quando o pacote CLT supera o PJ na prática
  • Como precificar sua hora se for PJ
  • Reservas e benefícios que substituem o que você perde
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Como cada regime cobra de você

No CLT, dois descontos saem do salário todo mês: INSS (progressivo, com teto de contribuição) e IRRF (progressivo, com tabela atualizada pela Reforma do IR de 2026, que isenta 100% até R$ 5.000 e tem redutor escalonado até R$ 7.350). Sobre isso, o empregador ainda paga FGTS (8%), provisões de férias e 13º, INSS patronal, RAT e Sistema S, chegando a um custo ~55% acima do bruto.

No PJ Simples Nacional Anexo III, o que importa é a alíquota efetiva: ela depende da Receita Bruta dos últimos 12 meses (RBT12). Quanto maior o faturamento acumulado, maior a alíquota: começa em 6% para empresas até R$ 180k/ano e sobe progressivamente. A calculadora assume que você atende ao Fator R (folha de pagamento ≥ 28% da receita), o que mantém a empresa no Anexo III em vez do mais caro Anexo V.

A comparação justa não é "bruto vs bruto"

Comparar salário CLT bruto com faturamento PJ bruto é o erro mais comum. O CLT bruto vem com benefícios já embutidos (FGTS, férias remuneradas, 13º, INSS patronal); o faturamento PJ é só o número que entra na nota. Você precisa subtrair imposto, custos fixos, e provisionar o que o empregador antes provisionava por você.

A valoração total CLT que a calculadora mostra é: salário líquido + VR/VA + plano de saúde + PLR + 13º + férias (1/3 constitucional) + FGTS, todos diluídos em 12 meses. Essa é a base honesta para comparar com o líquido PJ: faturamento − DAS − INSS pró-labore − custos fixos.

Premissas e limitações honestas

  • Reforma do IR aplicada: isenção total até R$ 5.000/mês e redutor escalonado até R$ 7.350. Quem ganha mais que isso paga IRRF normalmente pela tabela progressiva.
  • PJ assume Fator R atendido: sem isso, a empresa cai no Anexo V e os números mudam significativamente. A maioria dos PJs individuais que retiram pró-labore atende ao critério.
  • Pró-labore explícito, com INSS de 11%: a calculadora recolhe INSS contribuinte individual (11%, limitado ao teto do INSS) sobre o valor de pró-labore que você informar, e aplica IRRF pela tabela pessoa física quando aplicável. Lucros distribuídos acima do pró-labore são isentos no modelo atual.
  • 13º, férias e FGTS contam no CLT: diluídos em 12 meses na valoração total. O FGTS entra com valor cheio apesar de ser dinheiro travado (saque só em demissão sem justa causa, financiamento imobiliário etc). No PJ esses componentes não existem, precisam virar reserva própria.
  • Não considera reservas para meses ociosos: PJ sem cliente é PJ sem renda. A boa prática é manter reserva de 3 a 6 meses do custo de vida.
  • RBT12 estimada em faturamento × 12: a calculadora assume receita estável para definir a faixa do Simples. Se a sua empresa teve sazonalidade forte ou começou há menos de um ano, a alíquota efetiva real pode variar em 1 a 2 pontos percentuais.

Exemplos práticos

Exemplo 1: salário inicial

CLT R$ 5.000 bruto + R$ 600 VR/VA + R$ 400 plano de saúde + R$ 5.000 PLR/ano vs PJ R$ 7.500 de faturamento mensal, pró-labore mínimo R$ 1.580 e R$ 600 de custos fixos:

  • CLT: líquido R$ 4.498 + benefícios diluídos R$ 2.316 (VR/VA + plano + PLR + 13º + férias + FGTS) ≈ R$ 6.814/mês
  • PJ: DAS 6% (R$ 450) + INSS pró-labore R$ 174 → líquido R$ 6.276/mês
  • Vantagem CLT: R$ 538/mês. O pacote CLT vence com folga nessa faixa.

Exemplo 2: salário sênior

CLT R$ 15.000 bruto + R$ 1.000 VR/VA + R$ 1.500 plano + R$ 20.000 PLR/ano vs PJ R$ 22.000 de faturamento mensal, pró-labore mínimo R$ 1.580 e R$ 1.500 de custos fixos:

  • CLT: líquido R$ 11.221 + benefícios diluídos R$ 6.613R$ 17.835/mês
  • PJ: DAS ~7,65% (R$ 1.684) + INSS pró-labore R$ 174 → líquido R$ 18.642/mês
  • Vantagem PJ: R$ 807/mês. Bem menor do que "faturamento − líquido CLT" sugere, porque o CLT já carrega 13º, férias e FGTS embutidos.

Em ambos os casos, a calculadora mostra quanto cada lado paga em imposto e quanto sobra, e deixa claro por que a regra de "PJ é sempre melhor" é simplista demais.

Perguntas frequentes

Vale mais a pena ser CLT ou PJ?

Depende. Em valores absolutos, PJ no Simples Nacional costuma deixar mais dinheiro no bolso para faturamentos acima de R$ 8 mil/mês, porque a alíquota efetiva fica entre 6% e 13%, bem menor que a soma de INSS + IRRF do CLT na mesma faixa. Mas o CLT entrega um pacote completo: FGTS, férias remuneradas, 13º, INSS patronal, plano de saúde subsidiado e estabilidade jurídica. A pergunta certa não é "qual paga mais", e sim "a diferença líquida cobre o que você perde em segurança e benefícios?"

O que é Fator R no Simples Nacional?

Fator R é a regra que decide se uma empresa de serviços paga pelo Anexo III (alíquotas entre 6% e 33%) ou pelo Anexo V (entre 15,5% e 30,5%). A conta é simples: se a folha de pagamento dos últimos 12 meses (incluindo pró-labore) representa pelo menos 28% da receita bruta dos últimos 12 meses, a empresa cai no Anexo III, que é bem mais barato. A maioria dos PJs individuais que se pagam pró-labore atinge esse percentual e fica no Anexo III. Esta calculadora assume que esse é o seu caso.

PJ paga FGTS?

Não. O FGTS é um direito do trabalhador celetista. Como PJ você não tem FGTS depositado por ninguém. Se quiser o equivalente, precisa criar a sua própria reserva (uma boa referência é separar 8% do faturamento líquido todo mês em uma conta separada).

Quanto preciso cobrar como PJ para ganhar o equivalente a um salário CLT?

Uma regra prática usada no mercado de tecnologia é multiplicar o salário CLT bruto por 1,7 a 2,0. Isso cobre: o imposto do Simples (~13% efetivo na faixa típica), reservas para férias, 13º, FGTS e meses sem faturamento. Por exemplo, um CLT de R$ 10 mil bruto equivale a um PJ de R$ 17 mil a R$ 20 mil/mês. A calculadora acima permite ajustar os números e ver na prática.

Quais são os custos invisíveis de ser PJ?

Contador (R$ 150 a R$ 500/mês), plano de saúde particular (de R$ 300 a R$ 2 mil dependendo da idade e cobertura), certificado digital (~R$ 300/ano), DAS atrasado e multas se errar prazo, ausência de seguro-desemprego, períodos sem faturamento entre clientes, e o tempo gasto com gestão financeira. Some também a perda de FGTS, 13º e férias remuneradas: eles são parte do "salário" CLT que somem no PJ.

A Reforma do IR muda o salário líquido em 2026?

Sim. A reforma estende a isenção total do IR para rendas até R$ 5.000/mês e cria um redutor escalonado entre R$ 5.000 e R$ 7.350. Quem recebia até R$ 5.000 e pagava algum imposto via tabela progressiva passa a ficar 100% isento; quem está na faixa de transição paga menos do que pagava antes. Esta calculadora já aplica a tabela com a reforma.

Posso ter CLT e PJ ao mesmo tempo?

Pode, e é comum. As duas rendas são tributadas separadamente: a CLT na fonte pelo IRRF e a PJ pelo Simples. Mas no ajuste anual de IRPF, a renda PJ recebida como pró-labore se soma à CLT na declaração e pode jogar você em uma faixa maior. Lucros distribuídos da empresa, por outro lado, são isentos de IR pessoal hoje. Fica atento ao limite de receita do Simples (R$ 4,8M/ano) e às regras do contrato CLT (algumas empresas restringem atividades concorrentes).

Os valores desta calculadora são exatos?

São uma aproximação útil para planejamento. As tabelas de INSS e IRRF refletem o que está vigente em 2026 (com a Reforma do IR). O cálculo PJ assume Simples Nacional Anexo III com Fator R atendido e recolhe INSS de 11% sobre o pró-labore informado (com IRRF pessoa física quando aplicável). Para decisões definitivas, como abrir empresa ou mudar de regime, vale conversar com um contador.

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